Diferenças entre o Português Europeu e o Português Brasileiro

Quais as principais diferenças entre o Português de Camões e o Brasileiro de Machado de Assis?

A Língua Portuguesa é a quinta língua mais falada no mundo e a única falada nos cinco continentes por países que não fazem fronteira entre si. Graças ao período de expansão marítima do Império Português lá no século XV e XVI, hoje existem mais de 220 milhões de falantes no mundo todo, sendo o Brasil responsável por quase 75% desse enorme número. Claro que com tanta distância geográfica e cenários culturais e etnográficos tão diferentes seria absolutamente impossível que falássemos todos a mesma língua. Espero, mas não é assim?

Sim, falamos a mesma língua, mas em suas formas variantes. Ou seja, assume-se que a língua varia de lugar para lugar: na escrita, na fala e em muitos outros aspectos, mas continua sendo o mesmo idioma. Tanto é que todos se entendem, apesar de poder haver algumas dificuldades em relação à pronúncia diferente aqui e ali e algumas palavras típicas de um país e desconhecidas por outro.

Há, por isso mesmo, pesquisadores que defendem uma “independência linguística” da variante brasileira, dado as diferenças que naturalmente se expressam na fala e inevitavelmente replicam no ensino formal nas escolas, na gramática distante da língua do dia-a-dia, entre outros aspectos. Basta saber que não é raro que filmes brasileiros sejam exibidos com legenda em Portugal (e o contrário também é válido) e que tradutores do Brasil, por exemplo, não podem traduzir um texto da língua estrangeira que trabalham para o Português de Portugal, nem portugueses podem traduzir para o Português do Brasil. Nesse campo, são consideradas línguas completamente diferentes.

Por fim, quais as principais diferenças entre o Português Brasileiro e o Português de Portugal?

         1- Vocabulário

Como a posição geográfica dos países não deixaria de acentuar, as diferenças no vocabulário do Português Europeu e do Português do Brasil são a primeira coisa que chamam a atenção. São incontáveis palavras, das mais cotidianas às mais técnicas, que podem gerar uma verdadeira confusão. Confira abaixo uma pequena lista:

2- Fonética

A pronúncia das palavras é o que mais impressiona e evidencia quando as variantes são comparadas. Para alguns, o Português brasileiro é tido como mais agradável por ser mais aberto e soar “cantado” e o Português europeu é tido como mais “fechado” e mais formal. Por exemplo, a palavra ‘menino’: enquanto brasileiros falam “meninu”, por exemplo, portugueses falam “mãninu”. “A Água” no Brasil pode ser falado “aaágua”, como se fosse tudo junto, e em alguns lugares de Portugal pode se ouvir “aiágua”, com um “i” no meio. Também encontramos um fenómeno linguístico em Portugal que é a adição do –e no fim de palavras terminadas em –r: andare, jogare, falare.

3- Sintaxe

Assim como o Inglês Britânico e o Inglês Norte-Americano, também existe a ideia de que o Português Europeu é mais formal enquanto o brasileiro é mais despojado. Isso porque os portugueses tendem a seguir a sintaxe como dita a gramática normativa “Dá-me”, “Diz-me”, “Abraça-me”, ao passo que no Brasil se diz “me diz”, “me dá”, “me abraça”.

Outra diferença que logo se observa é o uso comum do gerúndio no Brasil que assume a forma de preposição seguida de verbo no infinito em Portugal. Brasileiros diriam “estou estudando” e portugueses diriam “estou a estudar”.

4- Discurso informal e formal

No Brasil, usamos a forma “você” para falar na segunda pessoa, majoritariamente em contextos de caráter informal e algumas vezes até em contextos formais. Em Portugal, entretanto, são muitas as formas de estabelecer essa comunicação. “Você” é entendido como uma forma respeitosa, geralmente utilizada para pessoas mais velhas – algo que tem a ver com a etimologia dessa palavra, vinda de “Vossa Mercê”, “Vosmecê” e chegando a “você”. Em contextos informais em que se quer demonstrar promixidade ao seu interlocutar, trata-se por “tu”, a segunda pessoa do singular. Em contextos formais e informais em que não se tem proximidade com quem se fala, trata-se pelo nome como se fosse pronome “a Joana aceita um café?” (fala direcionada para a própria Joana e não para um terceiro e se referindo a ela).

Essas são apenas algumas das diferenças entre as duas variantes, mas certamente são as principais. Estrangeiros geralmente tem dúvidas sobre qual deveriam aprender e muitos ânimos se levantam ao falar dessa questão. Contudo, a verdade é que não língua melhor ou pior, mais certa ou mais errada. O que deve ser pesado é a necessidade imediata de quem vai aprender: a pessoa vai utilizar a língua no Brasil ou em Portugal? Com qual finalidade? Para trabalho ou só a viagem? Com qual cultura tem mais afinidade?

Ademais, apesar de todas as diferenças, uma coisa é certa: a comunicação funcionará de qualquer forma. As diferenças linguísticas podem até ter causado uma ou outras situações engraçadas, mas nunca foram completos impeditivos para a compreensão. E viva a diversidade linguística que enriquece a nossa cultura e os nossos idiomas!


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